Você rói unhas?

A Ana Rita Moreira Rangel, que mora lá em Macaé, no Rio de Janeiro, roía. Na verdade, ela cultivou esse hábito por mais de 30 anos. Tudo começou na infância, quando passou a imitar uma colega de sala. Ana diz que se sentia muito feia, derrotada e inferior às outras mulheres, pois sempre tinha que esconder os dedos para que ninguém notasse as unhas. Era a forma que tinha para evitar perguntas e esconder a vergonha por não se forte o suficiente para parar.

Há um mês essa história ganhou um novo capítulo. Ela conseguiu vencer esse vício aprendendo a se amar e respeitar o próprio corpo. Nessa jornada, contou com a ajuda de uma das madrinhas do meu curso Fluxo Total, e passou por um tratamento de beleza tão intenso internamente, que a fez se transformar em uma nova mulher aos 40 anos.  Essa mudança não se trata apenas de uma questão estética, e sim de emoções que antes eram expressadas através de um ato de “mutilação”, e que agora deram lugar a uma nova mentalidade e estilo de vida.

 

 

Eu soube disso tudo após ler o depoimento da Ana no grupo fechado para alunos do Fluxo Total. E minha equipe organizou uma entrevista com ela para que todas vocês saibam que é possível viver uma vida diferente, basta querer.

Trecho da declaração da Ana: 

” Decidi repensar esse hábito e me perguntei sinceramente o por quê desse comportamento. Sabe o que eu descobri? Que não sou mais uma garotinha insegura precisando copiar as outras para ser aceita, nem mesmo uma mulher extremamente exigente e perfeccionista que se automutila por não ser perfeita. Diante disso, olhei para minhas mãos, agradeci a perfeição delas, a pele, os movimentos, as unhas.

Beijei cada dedo com gratidão e decidi que já que eu era diferente, esse hábito não tinha mais nada a ver comigo. Aqui estou eu: com unhas, feliz da vida com mãos do jeito que sempre vi outras mulheres e não podia ter… Em agradecimento ao apoio do Universo decidi ofertar 20 esmaltes para 20 mulheres, um para cada dedo salvo do desamor que eu vivia. Sou grata, sou grata, sou grata!!”

Entrevista completa: 

1-    Com quantos anos você começou a roer unhas e qual foi o motivo?

“Lembro de estar no jardim de infância, deveria ter quatro ou cinco anos. Estava no parquinho brincando com uma amiga e vi outra coleguinha roendo as unhas, colocando o dedo na boca. Achei aquilo muito bonito, não sei o motivo, e perguntei o que ela estava fazendo, porque eu nunca tinha visto algo do tipo. Alguém me respondeu dizendo que ela estava roendo as unhas. Achei o máximo e decidi que eu também iria roer. Dali em diante comecei a fazê-lo, não me lembro de ter sido repreendida por meus pais até muitos anos depois, quando o hábito já estava arraigado.

 

Minha mãe me proibiu de colocar o dedo na boca para roer, e assim fiz. Só que o mau hábito continuava pois eu passei a arrancar as unhas de uma mão com a outra. Eu continuei com todas elas destruídas. Meus pais não chamavam minha atenção, pois a vaidade era um pecado mortal lá em casa. Apenas outras pessoas me questionavam e falavam para eu parar, apelando para a estética.”

 

 

2-    Em que momentos você mais roía as unhas

 

“Eu o fazia de modo totalmente inconsciente. Quando estava nervosa ou entendida roía mais. Só percebi que era inconsciente quando minha filha, hoje com 15 anos, passou a segurar as minhas mãos quando eu começava a cutucar. Ela foi a primeira pessoa a querer que eu parasse. Tinha muita vergonha de ter unhas tão pequenas, fracas e feias. Há uns quatro anos atrás, coloquei unhas de silicone, fiquei radiante!!! Pela primeira vez eu as vi compridas, e isso me deixou muito radiante. No entanto, a manutenção mensal era cara demais e acabei cansando de viver em função delas, mesmo sentindo que minha personalidade ficou mais completa. Então, depois de quase dois anos decidi retirar. Quando o fiz, o que tinha embaixo era quase uma película. Minha unha mesmo estava crescidinha mas molenga. E assim fiquei, com esse projeto de unha.”

 

3-    Por quantos anos você cultivou esse hábito e em quanto tempo parou? 

 

“Acredito que roí unhas por 32 anos e parei no dia três de junho deste ano. Parei de uma vez só. Um dia eu as roía, no outro não mais.”

unhas

Antes e depois das unhas da Ana. Na sequências, a cartinhas e o brinde que ela entregou para as 20 mulheres que escolheu.

4-    Como você se sentia ao ver as unhas todas ruídas?

 

“Derrotada, feia, me sentia nada sexy, inferior às outras mulheres e tinha inveja de unhas bonitas e raiva das minhas. Achava-as feias, fracas, descamavam, quebravam. Achava delas o que achava de mim mesma. Hoje vejo claramente que me autos sabotava, mas na época não percebia isso. Culpava as unhas fracas.”

 

5-    Por que resolveu dar um bastar nesse vício?

 

“Fui a uma entrevista para uma oportunidade de trabalho, fiz as unhas e fiquei me segurando para não cutucar na hora da entrevista. Foi muito difícil! No dia seguinte decidi repensar esse hábito e me perguntei sinceramente o porquê desse comportamento. Pensei: “se eu não fosse eu, o que pensaria só de me olhar? Pela aparência apenas? Me contrataria? As respostas foram ruins, mas sinceras. Pensei que eu parecia:

  • Insegura;
  • Infeliz
  • Fraca;
  • Insatisfeita comigo e com o meu corpo.

Não tinha autocontrole, pois poderia sentir isso tudo e não deixar transparecer. Achei que não me amava, me sabotava, pois cultivava um hábito que diminuía minha beleza feminina e meu poder pessoal. Olhei então dentro de mim mesma e vi essa nova eu…

Essa que eu decidi que vai ser minha melhor amiga pra vida. Uma mulher que eu acabei de conhecer e não desejo mais ficar separada da luz maravilhosa que ela tem, uma estranha com muito potencial. Essa que a Marcia Luz ajuda a brilhar, com seus ensinamentos e apoio. E essa mulher que eu sou e vi dentro de mim não era nem de longe a garotinha insegura precisando copiar as outras para ser aceita, nem mesmo uma mulher extremamente exigente e perfeccionista que se automutila por não ser perfeita.

Diante disso,

olhei para minhas mãos, agradeci a perfeição delas, a pele, os movimentos, as unhas. Beijei cada dedo com gratidão e decidi que já que eu era diferente, esse hábito não tinha mais nada a ver comigo. Desde esse momento senti minhas mãos mais leves e toda vez que via que ia cutucar uma das unhas dizia dando importância menor ao fato: “- Ih, esqueci, isso não tem mais nada a ver comigo.” “-Oh, (com cara de surpresa) não faço mais isso!”

E foi assim, de repente (35 anos de atraso) que eu agora, um mês depois, tenho unhas maravilhosas, descobri até que não tenho unhas fracas!”

 

6-    Como conseguiu parar? 

 

Amando-me.

 

 

Essa história não é sobre unhas roídas e quebradas. Ela fala a respeito de uma mulher que se encontrou, recuperou a autoestima e aprendeu a se amar. Um tipo de afeto que poucas pessoas sentem por si mesmo. Não ao ponto de ser narcisista, mas ao passo de se amar e ver a pessoa maravilhosa que você é. Ame-se primeiro para depois amar os que estão à sua volta.

 

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